São Paulo, 18 de abril de 2023.
Bem, eu precisaria escrever bastante coisa para situar esse diário a partir daqui, já que eu de repente decidi criar um novo canal para continuar minha jornada de cura, mas eu não vou fazer isso porque toda vez que faço isso de querer situar, eu me perco tentando situar (entendeu o nível? hahaha).
Ontem eu levei um bolo, mais um dentre vários que já levei. Mais uma vez que me senti abandonada e enfim, só mais um ciclo que se repete. O que mudou dessa vez foi a minha visão e Deus queira que a minha forma de encarar também, porque padrões repetitivos acontecem enquanto a gente não aprende a mudar nossa forma de encarar aquilo né?
Hoje me vejo numa posição que antes eu já me via, mas não conseguia compreender. Por muito tempo na minha vida eu me senti excluída da minha família, sentia diferença na forma que me tratavam e tive inúmeros surtos por conta disso. Até chegar em um pontual que eu tenho gravado dentro de mim e sinceramente não queria ter. Vou até tentar realizar a limpeza dessa memória.
Mas um dia em meio a uma briga que tive, digamos que foi a primeira de maior intenção, eu ouvi da minha família que tudo que eu falava não fazia sentido e quando soltei um "sou louca então? tenho que procurar um médico?", minha família pra minha tristeza concordou. Talvez o concordar deles fosse com uma intenção, mas pra mim foi recebida com outra. Isso me trouxe dor, tristeza e a sensação de estar sozinha perdida num mundo tão grande e cheio de gente.
De lá pra cá, tenho buscado minha cura sozinha, procurando ajuda onde cabe, conhecimento porque esse é o caminho. Graças a Deus eu sou forte e tenho uma mente muito esperta, que me ajuda nas minhas quedas, é como se eu tivesse duas personalidades e uma ajudasse a outra.
E depois de ingressar em vários estudos e realizar várias trocas terapêuticas, olhando pra esses pontos que venho despertando, entendo hoje que tudo na vida são memórias. E nas minhas eu senti falta do meu pai, não que ele não seja um paizão, mas ele me entregou o que ele acredita ser o melhor na função de pai, mas na minha crença faltou coisa e eu sinto isso até hoje.
Consigo perceber que as atitudes dos meus pais, mesmo que na melhor intenção, me instalaram crenças que me fazem mal, GRAÇAS A DEUS eu consegui descobrir isso e venho olhando para cada ponto individualmente, buscando me curar.
Hoje o motivo de eu começar a escrever aqui, é para olhar de forma diferente para essa situação que vivi ontem, o bolo que levei.
De forma geral percebi que como dizem por ai "eu tenho um dedo podre", eu tive alguns namorados que no final sempre faziam as mesmas coisas, me proporcionavam os mesmos sentimentos, me traziam os mesmos medos e hoje entendo que basicamente todos os meus relacionamentos rodaram em volta do medo do abandono. Me deixa triste ter essa leitura só agora, porque eu poderia ter sido diferente antes, me amado mais. Evitando sofrer algumas coisas que sofri. Mas está tudo bem, porque assim eu aprendi a ser quem eu sou hoje.
Levar um bolo não é um momento bacana e ironicamente o universo colocou no meu caminho uma situação dessas esses dias. Minha amiga Carla, foi ao meu bar, no dia da nossa comemoração de um ano, ela ficou horas esperando o boy com quem ela estava saindo e ele deu um bolo nela! A bichinha ficou PUTA, ela chorava de raiva! E isso me fez ver o quanto por muitas vezes a gente espera tanto do outro e a consideração não vem! Eu vendo como ela ficou, tentei olhar com outros olhos, me colocando no lugar dela, entendendo que ela estava procurando no próximo algo que faltava nela e até sugeri que ela olhasse mais pras emoções dela mesma, pro que ela estava procurando no outro.
Para minha alegria, depois de alguns dias quem levou o bolo fui eu!
E ai que eu me coloquei a refletir sobre o que eu senti, quando senti que levaria um bolo e como estou me sentindo agora. A pessoa que me deu um bolo, já me deu um bolo antes e apesar de ter ficado muito brava eu relevei e dei outra oportunidade. Quando saímos esses dias eu falei pra ele o pq de eu ter ficado chateada antes, porque ficar esperando alguém que não vem, não é legal. Se não vai dar avisa, mas seja responsável de avisar.
No caso a pessoa não teve essa consideração. Não sei o motivo, porque não o conheço, mas sei que mesmo ele sabendo do que senti a primeira vez que ele me largou esperando, ele refez o ato.
Ontem eu estava em casa, tirei o dia pra limpar minha casa e cuidar dela. Quando percebi que ele não viria, sabendo que levaria um bolo, ressignifiquei meus sentimentos e decidi continuar limpando tudo, que ao acabar eu curtiria a noite conforme tinha programado. Limpei quase tudo, passei um incenso na minha casa, abri meu vinho e o tomei conforme tinha programado. Mesmo que sozinha. Confesso que não estava totalmente feliz, mas que soube curtir minha companhia e minha casa, AH ISSO EU SOUBE!
Eu acordei chateada sabe, por ter acontecido isso, mas entendi que a gente não pode esperar que as pessoas sejam como esperamos que sejam. A gente não pode esperar a verdade, a transparência, muito menos a consideração de alguém diferente da gente, porque isso só nos faz magoar.
Por hora eu quero focar na limpeza dessas emoções e evoluir, dar mais um passinho nessa jornada. Então para isso vou dar início a um novo exercício diário para limpeza das minhas crenças.
O QUE ESTOU SENTINDO?
Estou triste por viver mais uma vez um ciclo repetitivo.
Estou me sentindo sozinha.
Estou triste porque sinto que não nasci pra encontrar alguém, para ter um parceiro.
Estou com medo de ficar sozinha pro resto da vida.
Estou chateada pela falta de comprometimento e responsabilidade afetiva.
Estou chateada com a falta de consideração.
O QUE CAUSOU ESSE SENTIMENTO?
Um bolo que levei de um boy.
POR QUE SENTI ISSO?
Porque me senti abandonada.
Porque não me senti o suficiente para fazer acontecer.
Porque me senti culpada por ter levado um bolo.
Porque mexeu com a minha auto estima, por ser auto suficiente.
O QUE EU POSSO MUDAR PARA OTIMIZAR ESSA EXPERIÊNCIA?
Fortalecer a auto confiança.
Liberar a culpa.
Liberar o medo da rejeição.
Liberar o medo da solidão.
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