São Paulo, 24 de junho de 2023.
Ontem fiquei pensando sobre a auto responsabilidade, sobre meus pensamentos, minhas atitudes. É muito louco como me incomodo tanto por esperar do os outros o que não deveria, mais especificamente "dentro" de casa.
Eu mesmo sabendo das condições, mesmo sabendo de um futuro provável, não consegui ainda mudar minha postura ou pensamentos perante as coisas que vem acontecendo. Eu sinto no meu coração que estou chegando lá, mas nossa como me incomoda esse trajeto.
A Nic falou esses dias em algum vídeo sobre o processo de cura e eu sinto que estou nele, é mais fácil de compreender, mas a aceitação continua desafiadora.
Por esses dias eu fiquei chateada, que peço as coisas lá no bar e elas continuam não sendo feitas, mais uma vez me chateei, mais uma vez perdi meu eixo e acabei me exaltando levemente, mais uma vez apertou um gatilho de que nada muda e que provavelmente nunca vai mudar, o que na verdade é zero novidades pra mim, mas eu não sei, dentro de mim parece que tem uma parte muito inocente que realmente acredita que essa mudança um dia pode acontecer e que tem esperança que essa mudança venha neste momento.
Ai que passado isso, junta a minha questão equilíbrio pessoal.
Estou desgastada fisicamente, porque sem o Rael no bar a jornada voltou a ser normal sem folgas e ai que juntando com a minha jornada diária do pavilhão, meu corpinho está pedindo arrego. Isso me deixa com o humor muito mais sensível e me consome nos pensamentos também, com pensamentos intrusivos.
A verdade é que desde que minha irmã e o Michel começaram a namorar eu não entendi algum sentimento aqui dentro e depois das brigas, eu garrei ranço. Um sentimento bastante inconveniente, porque não é um sentimento bom. É uma grande e imensa mistura de emoções. Antes eu me importava TANTO com o que eles estavam sentindo, que fui guardando cada machucadinho debaixo de um bandaid, só pra não externar e machucar eles ou interferir em algo, mas depois de um ano deles juntos, eu percebi que nunca fui incluída nisso, e o que mais me magoa é que o Michel não saber ter pessoas perto que o amam como uma família é zero novidades, em vista da criação dele, mas a minha irmã ceder pra tudo isso, me causa um sentimento de perda tão imenso que nem consigo definir.
Ai ontem eu fique bastante chateada porque nós duas fechamos o bar, tinha clientes até mais de 1h e eu estava ali interagindo com todos, porque é isso que eu faço me melhor! o NETWORK! eu amo estar entre as pessoas, fazer essa ponte com elas, ter essa troca, porque percebi que no final das contas é realmente isso que eu quero, proporcionar ESSA experiência pro meu público.
Me chateei porque eu pedi pra ir embora e eles esperarem o uber da deia com ela, que demoraria (fucking) 3 minutos. A resposta dela? é a gente esperou até agora né, mas ta bom pode ir... tipo ela jogou na minha cara, como se a escolha de ter ficado aberto até aquela hora fosse minha, como se eu tivesse ficado até tarde porque eu quis, só porque eu estava me divertindo com a galera, da mesma forma que ela faz com os clientes, amigos e com o namorado dela. Achei de tamanho egoismo, considerando que hoje as 7 eu estaria de pé e ela não. Mas ta bom.
Cheguei tão chateada em casa que bati um papo com a cigana sabe, como eu vou acreditar que minha irmã realmente quer isso tudo, se ela faz esse tipo de besterinha, que tem um peso bem grande para mim??
No entanto, eu pedi que se eu estivesse errada, que eu fosse iluminada com um pensamento, para entender onde estou errando.
E entre ontem e hoje eu tive 2 insights.
1. a vida gira em uma roda, os ciclos se iniciam e se encerram e as mudanças são inevitáveis. Se a gente realmente está vivendo, a mudança diária está presente. Pra melhor ou pior, a vida vive em constante mudança e a gente tem o livre arbítrio de fazer nossas escolhas de onde a gente quer que essa mudança chegue.
As vezes a gente planeja as mudanças, a gente busca, as vezes elas simplesmente acontecem baseadas no seu meio diário. Eu tenho plena consciência da minha mudança dos últimos anos. Eu venho buscando por ela, eu venho me esforçando, eu sei o quanto eu já progredi, mas eu não sei dessa jornada da vida de outra pessoa, isso inclui a minha irmã.
Eu me peguei pensando sobre minhas mudanças e sobre as falas que minha irmã tem, que machucam, que me fazem ver o quanto ela não enxerga minha mudança. Isso me mostra o quanto nós estamos diferentes. Até ontem eu achava que eu tinha mudado e que essa mudança nos afastou, porque nós não somos mais iguais. Devido EU ter mudado, consideravelmente. Mas ontem eu tive esse insight, que na verdade todo mundo muda o tempo todo e que a mudança da minha irmã não foi planejada, foi pelo meio que ela vive.
Infelizmente minha irmã está se adaptando ao namorado dela, que é quem ela tem por perto hoje e infelizmente ele não é a maior base de exemplo pra diversas coisas. Cara toda vez que eu venho escrever sobre isso meu olho enche de lágrima, porque dói de uma forma que nem cabe em palavras, saber que eu não apoio o relacionamento dela e que isso com certeza vai afetar no futuro, como irmãs, como família e até como tia, que eu real sinto muita dor nisso.
Se eu tinha medo de ficar sozinha pro resto da vida e tinha esse conforto de saber que eu tinha eles, hoje me dói porque aperta ainda mais o meu maior medo de ficar sozinha. E agora escrevendo percebi o quanto isso me afeta, porque eu realmente depositava esse sentimento neles, mas percebi que nunca foi recíproco, ou de repente deixou de ser.
Enfim, se estou disposta a resolver tudo mesmo que sozinha, preciso começar a agira agora.
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